
A realização do EuroPride, cujo financiamento municipal foi hoje aprovado, não pode servir como pretexto para justificar as escolhas políticas de Carlos Moedas, nem pode deixar para trás iniciativas e coletivos estruturantes na luta pela não discriminação, antirracismo e direitos LGBTI+.
Entidades de base local e iniciativas por estas promovidas, como a MOL – Marcha do Orgulho LGBTI+, fazem parte há décadas do calendário de direitos humanos na cidade. É fundamental que sejam devidamente apoiadas para não deixar cair em Lisboa bandeiras de que nos orgulhamos.
Mas este ano têm sido ainda maiores as dificuldades levantadas para a realização da habitual marcha, segundo comunicação da MOL enviada aos gabinetes dos vereadores na Câmara Municipal de Lisboa e subscrita por 61 entidades.
O EuroPride é um programa de grandes dimensões, cujo processo de organização foi objecto de polémicas públicas ao longo do seu processo em Lisboa, e não deveria impedir ou prejudicar a realização nas devidas condições ou apagar iniciativas que fazem parte do calendário da cidade.
Não pondo em causa a sua importância, lamenta-se que esteja a ser organizado de costas voltadas para as organizações há tantos anos a trabalhar em Lisboa.