

Por Daniela Serralha
Vivemos tempos desafiantes. Nos últimos anos, temos vindo a assistir ao crescimento de partidos de direita radical na maior parte dos países europeus e um pouco por todo o mundo. Estes movimentos pretendem restituir, sob novas vestes, velhas ideias que ameaçam a democracia e os direitos humanos.
“Dividir para reinar” é uma das estratégias recuperadas pelos novos falsos messias, cujos discursos perigosos e populistas servem para aumentar as diferenças entre as pessoas. Estes discursos de ódio só as afastam da política e minam a credibilidade dos políticos. Designadamente nós, eleitos locais.
Perante estes, e outros, atentados à democracia, comemorar os 50 anos do 25 de Abril – lembrar o que foi, sublinhar as conquistas que trouxe, e assinalar o que falta fazer – é ainda mais imperativo e vital.
É imperativo lembrar que Abril nos deu, antes de tudo, a liberdade, valor primeiro e maior.
É imperativo recordar que Abril nos trouxe a democracia, que, como disse Churchill, “é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros”.
É imperativo assinalar que Abril consagrou a universalidade e igualdade dos direitos de todos os cidadãos.
É imperativo lembrar que Abril nos deu a liberdade de expressão, de associação, de participação na vida pública.
É imperativo sublinhar que Abril permitiu criar o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública.
É imperativo recordar que Abril consignou o direito ao trabalho, o direito à greve, o direito a férias.
É imperativo destacar que Abril abriu caminho para a conquista dos direitos da mulher: o direito a votar; o direito a ser juíza, diplomata, militar ou polícia; o direito a sair do país, abrir conta bancária ou tomar contracetivos, sem ter de pedir autorização ao marido, entre muitos outros.
