Voto de pesar 06/117 – José Rodrigues

Agendado: 117ª reunião, 13 de Setembro de 2016
Debatido e votado: 13 de Setembro de 2016
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação: 299/AML/2016
Publicação em BM: 3º Suplemento ao BM nº 1182

Voto de Pesar 6/117 (Pres)
Pelo falecimento de José Rodrigues
José Joaquim Rodrigues nasceu em Luanda a 21 de Outubro de 1936, filho de um casal transmontano, natural de Alfândega da Fé. A vocação para as artes parece tê-lo sempre acompanhado. Depois de persuadir o pai a deixá-lo estudar em Portugal, viveu, primeiro, no distrito de Bragança, em casa de familiares, e, depois, aos catorze anos, fixou-se no Porto, com o intuito de estudar Belas Artes. Concluiu o curso de Escultura em 1963 na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde foi professor.
Em 1968, com os colegas Ângelo de Sousa, Armando Alves e Jorge Pinheiro, que com ele terminaram o curso com a classificação máxima, formou o grupo “Os Quatro Vintes”. A inspiração para o nome deste grupo de artistas terá sido encontrada num popular maço de tabaco, da marca “Três Vintes”.
No Porto, onde passou a maior parte da sua vida, fundou e presidiu à Cooperativa de Ensino Artístico Árvore que, desde 1963, é uma referência cultural da cidade. Também se ligou ao Minho, mais concretamente a Vila Nova de Cerveira, onde recuperou o convento de São Paio e ajudou a promover a Bienal Internacional de Cerveira, instituída no ano de 1978.
Além da escultura, fez ilustração para livros de escritores e poetas, como Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Vasco Graça Moura e Manuel Alegre. Produziu cerâmica e medalhística e realizou cenografias para a Companhia Nacional de Teatro da Galiza, Companhia de Teatro de Madrid, Teatro Universitário do Porto, Teatro Experimental do Porto, com a Seiva Trupe, Teatro Experimental de Cascais e Teatro D. Maria II. Em 1996 desenhou para a Câmara Municipal Porto o cenário da cerimónia de classificação do Porto como Património da Humanidade. Nesta cidade ficou célebre o “cubo”, escultura que se pode ver na Ribeira.
Foi um dos maiores nomes das artes plásticas portuguesas, para além de cidadão exemplar. Tendo exposto em todo o mundo, está representado em várias colecções particulares e instituições, no país e no estrangeiro. Recentemente, convertera o seu atelier na Fundação José Rodrigues, dotada de salas de exposição e de um auditório. Deixa na cidade do Porto em especial, mas também em todo o país, uma obra que perdurará e uma marca de autenticidade e cidadania que foram o seu timbre até ao fim da vida.
A Assembleia Municipal de Lisboa lamenta a morte de José Rodrigues e envia aos seus familiares e amigos as mais sentidas condolências.
Lisboa, 12 de setembro de 2016
A Presidente da Assembleia Municipal

Helena Roseta